APARIÇÃO DE NOSSA SENHORA DE LURDES


 

  

 

 

De 11 de Fevereiro a 10 de Julho, a bem-aventurada Virgem Imaculada dignou-se transmitir uma mensagem durante 18 aparições:

1ª APARIÇÃO

11 de Fevereiro de 1858

- Na manhã dessa quinta-feira, as duas irmãs Bernadette e Antonieta, e uma amiga Joana Abadie, procuravam lenha junto à gruta de Massabielle, nas margens do rio Gave. As duas pequenas saltam sem dificuldade um regato. Bernadette de 14 anos descalça-se para meter os pés na água e passar ao outro lado.

Entretanto - escreve ela - «vi numa cavidade do rochedo uma moita, uma só, que se agitava como se houvesse muito vento. Quase ao mesmo tempo saiu do interior da gruta uma nuvem dourada, e logo a seguir uma Senhora nova e bela, mais bela que todas as criaturas, como eu nunca tinha visto nenhuma. Veio pôr-se à entrada da concavidade, por cima do tufo de mato.

      Logo olhou para mim, sorriu-me e fez-me sinal para que me aproximasse, como o faria minha mãe. Tinha-me passado o medo, mas parecia-me que não sabia onde estava. Esfreguei os olhos, fechei-os, tornei-os a abrir; mas a Senhora estava lá sempre, continuando a sorrir e fazendo-me compreender que eu não estava enganada.

      Sem saber o que fazia, tomei o terço e ajoelhei-me. A Senhora aprovou com um sinal de cabeça e passou para os seus dedos um rosário que trazia no braço direito. Quando quis começar a rezar e erguer a mão à testa, o meu braço ficou imóvel, como que paralisado. Só depois de a Senhora fazer o sinal da cruz é que eu o pude fazer também. A Senhora deixava-me rezar sozinha. Ela apenas passava as contas pelos dedos, sem falar. Só no fim de cada mistério dizia comigo: Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.

      Quando acabou a reza, a Senhora voltou a entrar do interior do rochedo e a nuvem de ouro desapareceu com Ela».

      A quem lhe perguntava como era a Senhora, Bernadette fazia esta descrição: «Tem as feições duma donzela de 16 ou 17 anos. Um vestido branco cingido com faixa azul até aos pés. Traz na cabeça véu igualmente branco, que mal deixa ver os cabelos, caindo-lhe pelas costas. Vem descalça, mas as últimas dobras do vestido encobrem-lhe um pouco os pés. Na ponta de cada um sobressai uma rosa dourada. Do braço direito pende um rosário de contas brancas encadeadas em ouro, brilhante como as duas rosas dos pés».

3ª APARIÇÃO

Disse a Virgem Maria:

«Queres fazer-me o favor de vir aqui durante 15 dias?»

 - «Assim o prometo» - respondi.

«Também eu prometo fazer-te feliz, não neste, mas no outro mundo».

6ª APARIÇÃO

«Reza pelos pecadores e pelo mundo tão revolto.»

8ª APARIÇÃO

«Reza a Deus pelos pecadores!

Penitência! Penitência! Penitência!

Beija a terra em penitência pela conversão dos pecadores!»

 

9ª APARIÇÃO

«Vai beber à fonte e lavar-te nela.»

Não vendo ali fonte alguma, eu ia ao rio Gave beber. Ela disse-me que não era ali. Fez-me sinal com o dedo mostrando-me o sítio da fonte. Para lá me dirigi. Vi apenas um pouco de lama. Meti a mão e não pude apanhar água. Escavei e saiu água mais suja. Tirei-a três vezes. À quarta já pude beber».

Era a água milagrosa que tantos prodígios tem realizado.

Nossa Senhora mandou-lhe ainda fazer esta penitência pelos pecadores

13ª APARIÇÃO

«Come daquela erva que ali está!»«Vai dizer aos sacerdotes que tragam o povo aqui em procissão e que me construam uma capela.»

 14ª APARIÇÃO

3 de Março A Senhora não aparece à hora habitual, mas sim ao entardecer e deu explicação.

Não me viste esta manhã porque havia pessoas que desejavam examinar o que fazias enquanto eu estava presente. Mas elas eram indignas. Tinham passado a noite na gruta, profanando-a.»

16ª APARIÇÃO

Disse: «Eu sou a Imaculada Conceição.»

Padre Peyramale não podia mais duvidar, era realmente a Virgem Maria que ali aparecia, pois a moça que era analfabeta, não teria tomado conhecimento do dogma da Imaculada Conceição, (concebida sem pecado) se não lhe fosse revelado e que havia sido promulgado pelo Papa pio IX quatro anos antes (1854).

17ª APARIÇÃO

- 7 de Abril. Nossa Senhora nada disse, mas verificou-se nesta aparição o chamado milagre da vela. A vela benta, que Bernadette segurava, escorregou-lhe pela mão atingindo-lhe os dedos.

- Meu Deus, ela queima-se! - gritam várias pessoas.

- Deixem-na estar! ordena o Dr. Dozous. 

Bernadette não se queimou.

18ª APARIÇÃO

- 16 de Julho. Como é festa de Nossa Senhora do Carmo, a Vidente assiste à missa e comunga na igreja. À tarde sente que Deus a chama para a gruta, mas não pode aproximar-se devido à sebe, e aos soldados que, por malvada ordem do governo, cercam o recinto. A menina contempla a Senhora, de além do rio e da sebe.

«Não via o rio, nem as tábuas - explicará ela mais tarde. Parecia-me que entre mim e a Senhora, não havia mais distância que nas outras vezes. Só a via a Ela. Nunca a vi tão bela»

Foi o último adeus da Senhora até ao céu.

 

Qual é a mensagem que se depreende das 18 aparições de Lourdes

 

«O elemento principal - responde Laurentin, grande teólogo da Virgem - é a manifestação de Maria na sua Imaculada Conceição... O resto é função deste primeiro elemento e pode também resumir-se numa palavra: em contraste com a Virgem sem mancha, o pecado... Mas, inimiga do pecado, Ela é também amiga dos pecadores, não enquanto estão ligados às suas faltas ou se gloriam delas, mas enquanto se vêem esmagados pelo sofrimentos físicos e morais, consequência do pecado.

  Reduzida à sua expressão mais simples, poderíamos sintetizar desta forma a mensagem de Lourdes: A Virgem sem pecado, que vem socorrer os pecadores. E para isso propõe três meios:

Tornar-se fonte de  ÁGUAS VIVAS,

pela CONVERSÃO, ORAÇÃO, E A PENITÊNCIA».

 

 

 

 Oração de Nossa Senhora de Lourdes

Composta pelo Papa Pio XII

Dóceis ao convite de vossa voz maternal,
Ó Virgem Imaculada de Lourdes, acorremos a vossos pés
junto da humilde gruta onde vos dignastes aparecer para indicar aos que se extraviam o caminho da oração e da penitência e para dispensar aos que sofrem as graças e os prodígios da vossa soberana bondade.
Recebei, Rainha compassiva, os louvores e as súplicas que os povos e
as nações oprimidos pela amargura e pela angústia elevam confiantes a vós.
Ó resplandecente visão do paraíso expulsai dos espíritos - pela luz da fé
as trevas do erro.
Ó místico rosário com o celeste perfume da esperança aliviai as almas abatidas.
Ó fonte inesgotável de água salutar com as ondas da divina caridade
reanimai os corações áridos.
Fazei que todos nós que somos vossos filhos por vós confortados em nossas penas, protegidos nos perigos, sustentados nas lutas, nos amemos uns aos outros e sirvamos tão bem ao vosso doce Jesus que mereçamos as alegrias eternas junto a vosso trono no céu. Ámen.

 

 

 

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